"Qualquer jornalista tem consigo um emaranhado de idéias que se deve expor, uma meia dúzia de verdades que não foi a público ainda por conta de mil e um empecilhos, dentre eles a falta de uma tribuna popular. E como um compilador – nunca um desapegado – ele vai guardando sua coleção pr’uma ocasião melhor. Acontece que idéias empoeiram, notícias envelhecem, coleções começam a só fazer sentido para o colecionador...
Há de se escancarar o conteúdo aprisionado nas cacholas, nas gavetas, nas anotações, no interior da Mala Jornalística que carrega cada um de nós. E depois sentir como as coisas vão ficando mais leves para a próxima viagem."
Blog mantido por Isolda Herculano, jornalista baiana, pernambucana, paraibana e, agora, alagoana.
::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 4:31 PM
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Segunda-feira, Junho 01, 2009 :::
Jornalismo voando em círculos
Ao acordar nesta segunda-feira (1), todos devem ter se deparado com a notícia de que um avião da Air France – que ia do Rio de Janeiro à Paris – com 228 pessoas a bordo, sumiu dos radares durante a madrugada. Pois bem, é provável que iremos testemunhar mais uma grande tragédia da aviação, embora ainda não se tenha confirmação, só especulação, sobre a possível queda da aeronave.
Agora observem como a imprensa se comporta frente notícias assim – principalmente em se tratando de televisão. Desde as primeiras horas do dia acompanho o caso, agora sem tanta assiduidade, em diversas emissoras. Na verdade, não há segurança no que se fala, especula-se sem parar, levam-se boatos a cargo de notícias, toma-se base em ‘achismos’ de apresentadores ou jornalistas em polvorosa pelo furo. Um desastre, além do aéreo!
E olha que não é a primeira vez que ponho em cheque essa ‘mania’ do jornalismo: noticiar e noticiar, sem informar muito. O que está se repetindo neste caso recentíssimo, com informações ‘de última hora’ que já foram dadas desde o começo da manhã. É o acontecimento explorado até onde não há profundidade para tanto.
Em momentos assim eu ainda prefiro a sobriedade dos sites, já que eles dão aos espectadores a possibilidade de ler a informação que querem, escolhendo os links que lhe parecem mais precisos – mesmo insistindo a apelação, que não é um pecado no jornalismo, diga-se de passagem. Melhor do que ter de ficar ouvindo a verborragia jornalística que fala, fala e não diz. E tenho dito!