Mala Jornalística



"Qualquer jornalista tem consigo um emaranhado de idéias que se deve expor, uma meia dúzia de verdades que não foi a público ainda por conta de mil e um empecilhos, dentre eles a falta de uma tribuna popular. E como um compilador – nunca um desapegado – ele vai guardando sua coleção pr’uma ocasião melhor. Acontece que idéias empoeiram, notícias envelhecem, coleções começam a só fazer sentido para o colecionador...
Há de se escancarar o conteúdo aprisionado nas cacholas, nas gavetas, nas anotações, no interior da Mala Jornalística que carrega cada um de nós. E depois sentir como as coisas vão ficando mais leves para a próxima viagem."


Blog mantido por Isolda Herculano,
jornalista baiana, pernambucana,
paraibana e, agora, alagoana.



isoldaherculano@hotmail.com


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... a notícia como bagagem!


Mala Jornalística


De volta ao começo Malas e Bagagens Passaporte

Domingo, Abril 19, 2009 :::



O seu futuro é duvidoso?

Bem, acredito que o futuro de todas as pessoas – até daquelas que dizem ter alguma vidência – seja inusitado. Estamos sujeitos, todos os dias, aos mais variados tipos de surpresas, agradáveis ou não. Mas falemos de um futuro não tão distante, desses que virão nos próximos anos (2011, 2012, enfim). É claro que muitos de nós já projetamos a vida até lá: término de um curso pós-graduação, casamento, filhos, carro novo, ascensão profissional, mudança de cidade, estado, país e põe etcetera nisso.

E que tal testar o prazo de validade dos nossos sonhos e projeções? Pois é, é possível fazer isso virtualmente através de um sistema simples presente e um site já divulgado na internet. Retirei a dica do blog da Katiuscia Malafaia e resolvi trazer a brincadeira para os leitores do Mala Jornalística. O processo é simples: após o preenchimento deste formulário aqui, cada pessoa pode mandar um e-mail para si mesmo, escolhendo uma data futura para receber a mensagem. O interessante é dar o intervalo de alguns anos para que a experiência se torne mais surpreendente, ou não.

No começo achei a ideia simples e monstruosa, misteriosa e chata, inocente e aprimorada, mas depois acabei curiosa – ah, a curiosidade humana – pelos resultados. É claro que o futuro pode me trazer o descompasso entre a Isolda de hoje e a de amanhã; pode ser que sonhos fiquem pelo caminho, despedaçados; que maravilhas aconteçam de um dia para a noite. Nunca se sabe, mesmo!

Já estou me programando para mandar o e-mail, talvez faça isso nos próximos dias, como uma brincadeira séria. Caso achem interessante e tenham um tempinho no final de semana, no feriado que se aproxima, façam a experiência também. E não precisa ser projetando futuro não. Uma narrativa de como andam suas vidas hoje já seria suficiente para um comparativo, anos após, sob a linha tênue da mudança para melhor e para pior. Desejo um futuro que exceda as boas expectativas de todos e do nosso mundo, que, aliás, anda bem castigado.


::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 10:45 AM ... Comente!

Terça-feira, Abril 07, 2009 :::



A preço de banana

A inclusão digital está aí para quem quiser e estiver disposto a pagar por ela. É claro que este alguém pode não saber de todos os benefícios que as novas tecnologias da informação e da comunicação – como se diz, academicamente – têm a lhe oferecer, de forma real e concreta. E vai parecer piegas, mas o caso me preocupa.

O anúncio acima, copiado e colado do Circuito Integrado (Blog de Informática da Folha) é mais um sinal de que o Brasil já está incluído na chamada Era Virtual, em definitivo. E eu acho extraordinário ver crianças, cujos pais nunca tiveram acesso a uma máquina de escrever em casa, desbravando programas a fio, descobrindo com o senso autodidata extraído dos computadores e da internet, trabalhando a própria inteligência, tantas vezes subestimada. Não me agrada, porém, o excesso de acesso indiscriminado.

A foto, tirada numa cidade baiana não identificada (como se a Bahia fosse uma coisa só!), chamou minha atenção para os apelos do virtual em sociedade. Falarei do Orkut, para simplificar, já que o site de relacionamento dispensa apresentação. A tabela enumerada de preços especifica a cobrança da bagatela de RS 0,75 para quem quiser criar um perfil na página. Ou seja: pessoas que sequer dominam o procedimento, facílimo, de criação sentem a necessidade de “ter um Orkut”. É o modismo da inclusão que não inclui – assunto que daria tese de doutorado.

E quem tem um Orkut não poderá ficar sem uma conta de acesso ao MSN – programa de conversação de igual fama. E lá se vão mais R$ 0,50: uma pechincha, caso o felizardo possua o cartão do Bolsa-Família. Enfim, com R$ 1,25 é possível sair de um estabelecimento que vende acesso a tecnologia e a informação com a impressão de estar incluído, ainda quando só se está iludido.


::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 9:38 PM ... Comente!

Sábado, Abril 04, 2009 :::



O detalhe entre instruir e destruir

Vivemos no mundo do audiovisual, é fato. E é da ambição humana querer ver, ouvir e – quereremos num futuro bem próximo – sentir através da tela. A novidade é que, até poucos anos atrás, tal tela era a da televisão, que reinava solitária no espaço mais central da sala. Mas hoje se tem tela de tudo o quanto é jeito, para que não possamos querer nos ver apenas na TV: celular, mp4 (5,6,7...), notebook, etc.

Percebam a curva da revolução que estamos presenciando de dentro das nossas próprias casas: a audiência das TVs passa por uma derrocada indesviável. E é claro que virão os apocalípticos dizer que a culpa é dos computadores e da internet, mas eu digo não para a hipótese. Culpada é a programação inútil que vai ao ar diariamente e se repete, exaustiva, em todos os canais. Ou seria mera coincidência a emissora X lançar uma produção diferente na praça que é absolutamente igual a uma que já existiu ou ainda existe na emissora Y? Chacrinha profetizou que nada se cria e, de lá pra cá, tudo continuou a ser copiado.

Mais cedo conversava com um amigo sobre o assunto: estou assistindo menos TV. Mas não por ela ter deixado de ser um meio maravilhoso de se fazer comunicação, e sim porque usa uma fórmula gasta e lenta para a velocidade evolutiva dos tempos. Num exemplo bem prático: tudo o que eu posso assistir hoje à noite no Jornal Nacional li antes no G1, na Folha Online, que seja! As telenovelas, mesmo diante do vício e comodismo do telespectador brasileiro, estão cada vez mais dispensáveis. Os programas que podem acrescentar qualquer valor ao nosso intelecto são jogados no calabouço da programação (tarde da noite ou mesmo na madrugada), comprometendo a disposição para o dia de amanhã. Enfim, quis enumerar pequenos motivos.

Eu poderia falar também da programação da TV paga, mas como ainda estou num país miserável, onde milhares de lares só recebem o sinal da TV Globo, continuarei por aqui mesmo. A curva da revolução a que me referi lá atrás, e já podemos sentir, não se faz presente para vários semelhantes nossos, com capacidade de pensar tanto quanto nós podemos, porém sem oportunidade para isso. E quando nos convencermos de que poder de escolha é mais do que zapear num botão de controle remoto, pode ser que eles ainda estejam sendo induzidos a acreditar que vale a pena ver de novo o que já vimos num passado torto. E a desigualdade de informação será outra responsável pela desigualdade de formação.


::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 7:44 PM ... Comente!



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