
"Qualquer jornalista tem consigo um emaranhado de idéias que se deve expor, uma meia dúzia de verdades que não foi a público ainda por conta de mil e um empecilhos, dentre eles a falta de uma tribuna popular. E como um compilador – nunca um desapegado – ele vai guardando sua coleção pr’uma ocasião melhor. Acontece que idéias empoeiram, notícias envelhecem, coleções começam a só fazer sentido para o colecionador...
Há de se escancarar o conteúdo aprisionado nas cacholas, nas gavetas, nas anotações, no interior da Mala Jornalística que carrega cada um de nós. E depois sentir como as coisas vão ficando mais leves para a próxima viagem."
Blog mantido por Isolda Herculano, jornalista baiana, pernambucana, paraibana e, agora, alagoana.
 isoldaherculanomala@hotmail.com
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Terça-feira, Dezembro 23, 2008 :::
Sentimento de morte
Ao acompanhar uma das reportagens que fiz envolvendo o tema “assassinato”, minha mãe soltou o seguinte questionamento: filha, o que você sente ao chegar num lugar e encontrar uma pessoa morta? Adianto a resposta seca: nada. E que isso não seja entendido como um ultraje direto à vida ou à dignidade da pessoa humana (expressão muito dita, por modismo).
Sentir nada parece cruel, mas as situações que revestem quase todas as mortes por causa violenta são capazes – ainda que por instantes – de remover sentimentos. As cenas parecem idênticas: um corpo estendido no chão coberto por um lençol, sangue, curiosos de toda espécie, polícia, imprensa e testemunhas oculares "mudas". Jornalistas (não todos) aprendem no exercício da profissão a lidar com a morte – geralmente a dos outros. E não porque uma disciplina da grade curricular lhes disse isso em algum momento da faculdade, por gosto, vontade ou predisposição genética, e sim porque a morte é uma realidade social e deve (deveria?) ser tratada como tal.
Há alguns meses atrás meu pai fez uma pergunta semelhante a da minha mãe, para uma mesma resposta. Eles se chocam, claro, como se chocariam quaisquer outros. Os pais criam filhos – filhas, em especial – para seguir carreiras românticas ou, em outro plano, absolutamente rentáveis. O jornalismo não encaixa em nenhuma das alternativas anteriores, mas é uma profissão apaixonante e, às vezes, digna.
Catástrofes humanas não descaracterizam questões jornalísticas – roga minha opinião, única e restrita. E quando muito se diz sobre a banalização da morte, exposta em telejornais sensacionalistas, é porque deixam encoberto algo mais grave ainda: banalizaram a vida.
[Foto: homem chora morte de amigo na noite do último domingo (21), no bairro do Santos Dumont, Maceió, Alagoas, Brasil.]
::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 1:45 AM
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2008 :::
Pessoal, a imagem abaixo é de uma reportagem que fiz em Maceió, capital das Alagoas, e que trata da rotina de quem depende dos semáforos para garantir a sobrevivência. A história acontece por aqui e por muitas outras cidades do Brasil, infelizmente, como vocês sabem.
Bem, não há muito o que dizer. Esse é o olhar que lancei sobre as pessoas com quem conversei. Espero que vocês leiam e, no íntimo, reflitam. Como eu refleti. Ah, e no jogo de “faz de tudo” fiz as fotos também.
Beijos.
Isolda.
Sinal VERMELHO
Quem trafega pelas ruas e avenidas movimentadas de Maceió já está habituado a cruzar com suas figuras típicas. A paisagem urbana da cidade é formada por homens, mulheres e crianças que tiram o sustento próprio e da família – quase sempre numerosa – no intervalo entre o vai-e-vem dos carros e uma parada rápida em frente ao semáforo. Quando o sinal fecha, essas pessoas imaginam que alguma oportunidade possa se abrir, mas para que isso se torne realidade é preciso ser hábil, rápido e ter a disposição de um incansável.
Clique aqui para ler o texto inteiro, ver as fotos etc.
Olha, não vou colocar a matéria na íntegra aqui no campo de texto do blog porque ela é longa para o formato online, ok?
O Guilherme, que é editor do Jornalirismo, esse site muito legal, disponibilizou um tempinho para a leitura, gostou e publicou lá também. Caso queiram dar uma chegadinha, a visita de vocês será bem vinda.
::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 1:07 AM
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Sexta-feira, Dezembro 05, 2008 :::
Crise econômica: da marola ao “sifu”
Quando Lula declarou, em discurso oficial, que frente à crise econômica mundial o Brasil não deveria ser diagnosticado como um paciente que “sifu” – meia expressão basta para o bom entendedor – ele praticamente fez um convite à crítica, positiva e negativa.
Aliados e admiradores já saíram em sua defesa, argumentando que o presidente fala a língua do povo, embora a própria agência de notícias do governo achou por bem suprimir do seu texto a “palavra” de baixo calão. Oposicionistas ou meros descontentes do dito presidencial apontaram o excesso, também por acreditaram que o povo não pode ser tão ingênuo a ponto de não saber julgar o limite da própria conveniência. Nivelar por baixo o linguajar popular quando o presidente até acerta na metáfora, mas erra na expressão, é desleal com uma população que, quando tem oportunidade, sabe usar do vocabulário muito mais do que gastos palavrões.
O fato é que depois de ter dito que a crise chegaria ao Brasil com a força de uma marola, a atitude de apontar, nesse novo episódio, que o país precisa sim de remédios para conter seus sintomas mais críticos, soou como uma retratação do presidente. Com disse José Serra (PSDB) em outra ocasião, Lula está preocupado com o momento econômico, faltava ele próprio afirmar isso. O povo precisava de explicações a respeito do empréstimo de R$ 2bi da Caixa à Petrobrás, das demissões na Vale e, tocando nesses assuntos, Luiz Inácio acabou se abrindo ao diálogo – peça essencialmente democrática – mesmo sem a clareza e a precisão pedida.
É claro que as exposições de Lula não são postulados. Por isso nem todos acreditarão que a informatização de uma grande empresa e o fenômeno das demissões de muitos trabalhadores, em meio a uma crise mundial, seja uma triste coincidência. Se o presidente é declaradamente otimista, mais vale ao povo brasileiro ser realista. Para que num futuro bem próximo – usando o palavreado do próprio Lula – não possamos ter a notícia de que o país “sifu” porque o povo acreditou que tinha uma vida de marola.
::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 9:28 PM
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