Mala Jornalística



"Qualquer jornalista tem consigo um emaranhado de idéias que se deve expor, uma meia dúzia de verdades que não foi a público ainda por conta de mil e um empecilhos, dentre eles a falta de uma tribuna popular. E como um compilador – nunca um desapegado – ele vai guardando sua coleção pr’uma ocasião melhor. Acontece que idéias empoeiram, notícias envelhecem, coleções começam a só fazer sentido para o colecionador...
Há de se escancarar o conteúdo aprisionado nas cacholas, nas gavetas, nas anotações, no interior da Mala Jornalística que carrega cada um de nós. E depois sentir como as coisas vão ficando mais leves para a próxima viagem."


Blog mantido por Isolda Herculano,
jornalista baiana, pernambucana,
paraibana e, agora, alagoana.



isoldaherculano@hotmail.com

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... a notícia como bagagem!

Mala Jornalística


De volta ao começo Malas e Bagagens Passaporte

Sexta-feira, Agosto 29, 2008 :::



Mulheres-fruta ou xepa da feira?

Sempre fracasso quando tento me manter alheia a um fenômeno qualquer midiático. Foi assim com esse também. Tentei não escrever sobre, dissipar meu tempo e neurônios com coisas mais urgentes – como encher formas de gelo para uma precisão – e... tudo em vão. Cá estou eu direcionando um artigo a elas, as afamadas mulheres-fruta.

É claro que existe o discurso intelectulóide de que elas tenham vindo para destruir conquistas do movimento feminista (e seus sutiãs rasgados, no final da década de 60) etc coisa e tal, devolvendo a todas as mulheres o dispensado posto de objeto dos homens. A crítica tem fundamento, mas meu ponto de vista agora é outro. Parto do princípio: por que crianças, adultos e velhos se sentam em frente à TV para mais uma aparição das mulheres-fruta? É a televisão que dita o que iremos assistir ou é a audiência que faz a programação? Uma questão laboriosa; daria teses de doutorado, certamente, mas esse artigo é curto demais para grandes arrodeios.

Gostaria muito de poder cobrar outro tipo de cultura (que não a de massa) ao povo brasileiro, pois a cobrança seria o bom sinal de que essa opção existe para todos. Mas não existe. Brasileiros absorvem o que vêem e ouvem, jamais o que lêem ou duvidam – porque lendo muito pouco despertam menos ainda o senso crítico. Mulher melancia, melão, morango, jaca e as demais do mesmo quilate, são resultado disso e quando essas caírem, coisas que ainda nem imaginamos virão. Contra e sobre a vontade da minoria cult que é vista e vê com preconceito. Como eu o vejo. Como você me vê.

Duvido que essas frutas tenham sabor de qualquer coisa, pois elas parecem ser, fielmente, tudo o que aparentam: casca e casca, sem nenhum caroço. No mais, restará a nós, homens ou mulheres, machistas ou feministas, amantes ou abismados com o fenômeno televisivo das mulheres-fruta, a tediosa função de admitir: elas estão aí e vieram para ficar – espero eu que por pouco tempo.


Qual sua fruta preferida?

Melancia

Morango

Melão

Jaca

Hãm???





::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 8:40 PM ... Comente!

Sábado, Agosto 23, 2008 :::



Lendas Urbanas:
Tarado da Seringa está em Alagoas

A lenda urbana parece um fenômeno moderno, mas eu a interpreto como ramificação daquelas antigas “histórias que o povo conta” à beira de uma fogueira acesa nas roças do interior do Brasil. Certamente momentos como esse foram os nascedouros das divindades diabólicas Mula-sem-cabeça, Saci Pererê, Curupira, Nêgo D’água etc.

Acontece que o mundo evoluiu e com a mobilidade do êxodo rural essas histórias passaram a não assustar a mais inocente criança da cidade grande; saindo, literalmente, do campo do terror para a anedota. Uma versão beta precisava surgir urgentemente e novos e temidos personagens começaram a aparecer: a Loira do Banheiro, sem dúvida, era uma das mais impressionantes, pois todos nós (crianças das décadas de 80 e 90) estávamos em idade escolar. Em nota: a tal Loira foi antecedida pelos renomados Lobisomen, Mulher de Branco, entre outros, já ultrapassados.

Lembro-me bem, na adolescência, de ter conhecido um personagem que me arrepiou todos os fios de cabelo: o Tarado da Seringa. O meliante que, dizem, ser HIV positivo sairia pelas ruas, preferencialmente, em noites de festa, com uma seringa em punho, injetando seu sangue letal nas vítimas. A história tomou grandes proporções na pequena cidade interiorana da Bahia, onde cresci, e as pessoas passaram mesmo a evitar saídas desnecessárias. Ao conversar, depois, com amigos de outras cidades, descobri que essa e semelhantes histórias também rondavam por ali, com algumas modificações até, mas sem fugir da essência; foi quando tive o primeiro contato com a expressão “lenda urbana”.

Qual não foi minha surpresa ao acessar o site Alagoas em Tempo Real esta manhã e ler que o Tarado da Seringa está em Arapiraca, município do interior do Estado. De acordo com a publicação, os moradores da cidade estão apavorados e a polícia em estado de alerta, devido às denúncias anônimas feitas na central de atendimento. Capturar o indivíduo ainda é o maior problema em todos os casos, porque ele geralmente tem o biótipo da maioria dos homens dos lugares por onde passa – em Arapiraca não é diferente.

É claro que psicopatas existem, o que me impressiona é a ineficiência das autoridades policiais de quase todos os Estados do país (já que os lendários fora-da-lei são exímios viajantes), visto que sempre lhes deixam escapar. Outra coisa: eles fazem muitas vítimas, mas ninguém sabe quem são elas e, sumariamente, deixam de existir quando a lenda migra para outra cidade. Por essas e outras, enquanto esse Tarado da Seringa não tiver nome, sobrenome, face e pena a cumprir – tal qual o nada lendário Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque – continuará sendo para muitos, e para mim, mais uma história feia pra boi dormir.


A loira do banheiro, o Tarado da Seringa e outras lendas urbanas já passaram por sua cidade?

Sim

Não

Não sei

Nunca ouvi falar neles




::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 2:35 PM ... Comente!

Segunda-feira, Agosto 18, 2008 :::



Vale a pena ver de novo?

Com a proximidade frenética das eleições, é chegado o dia: amanhã (19) começa o afamado Horário Eleitoral Gratuito – que tem 30 minutos de execução diária em dois períodos, no rádio e na TV. Para muitos, um programa indigesto (atrasar a novela das “oito” parece ser o maior dos inconvenientes), mas existe a parcela da população que vai acompanhar atenta as propostas e a desenvoltura dos candidatos, o que lhes ajudará na hora da tomada certeira de decisão. Tanto para esses como para aqueles reservo as seguintes observações que podem até ser levadas como orientações enquanto a atração estiver no ar:

É UM PROGRAMA COMO OUTRO QUALQUER – Por mais que se debruce sobre interesses meramente públicos, o guia eleitoral é um programa tão sofisticado quanto a verba destinada para ele permitir. Muitos profissionais da comunicação estão nos bastidores das grandes candidaturas e artimanhas como o convencimento são suas especialidades. Belos anúncios não, obrigatoriamente, são verdadeiros. Já disse Platão, nossos sentidos nos enganam, e eu completo: quando nos deixamos enganar por eles.

TEMPO É (MAIS DO QUE) DINHEIRO Partidos com muito espaço no guia têm clara vantagem sobre a minoria, graças as alianças (ou coligações) feitas durante as convenções partidárias antes do lançamento oficial das campanhas. Preste atenção aos partidos agregados ao candidato que tem vez e voz no rádio e na TV. Muitos deles, unicamente, doam segundos ou minutos do seu tempo em troca de vantagens mui amigas no caso da eleição do aspirante – e isso pode acontecer até quando suas ideologias são, historicamente, opostas.

NÃO DEIXE OS CLICHÊS EMOCIONAREM VOCÊS – Candidatos aparecerão, outra vez, beijando donas de casa da periferia, segurando crianças pobres (às vezes sujas e remelentas), apertando a mão de trabalhadores em pleno sol do meio-dia. Em frente às câmeras, claro. Não os ache bonzinhos ou sensíveis demais por causa disso. Esse tópico remete ainda as velhas técnicas de convencimento da trupe do marketing, pessoal e político.

ANALISE A VIABILIDADE DAS PROMESSAS – Algumas das coisas que o candidato promete são inviáveis para o contexto da cidade, mas são ditas de forma tão bonita que parecem absolutamente reais. Se o candidato estiver concorrendo à reeleição tente lembrar se a tal promessa já foi feita antes (parece absurdo, mas acontece) e como ele procedeu na efetivação das demais. Promessa é dívida sim – como roga o dito popular – façamos o papel de bom cobrador.

ATENÇÃO AO JOGO SUJO – Existem candidatos que aproveitam o programa para atacar seus adversários. Às vezes essa briga (muito semelhante a uma pendenga de vizinhos) é instigante e atrativa para o espectador, mas lembre: enquanto eles trocam farpas entre si, o horário deixa de priorizar as propostas para o eleitor. Perde-se o caráter coletivo em prol de uma disputa individual.

A última dica, para que o texto não fique tão cansativo, é que o eleitor assista ao programa, ele ainda é auxiliar da nossa luta diária por uma democracia mais séria. Minhas dicas são poucas, mas sei que cada um de vocês desenvolverá sua própria técnica de recepção das mensagens eleitorais. Boa análise para todos!

Que importância você dá ao Horário Eleitoral Gratuito?

Muita

Pouca

Mínima

Nenhuma

Não sei





::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 1:07 PM ... Comente!

Domingo, Agosto 10, 2008 :::



Pra não dizer que não falei das flores

O esporte realmente não é o meu forte – talvez porque atividades físicas sucumbam sempre a minha poderosa indisposição congênita ou por eu ter nascido num país que nunca arraigou a prática esportiva com a carga social que ela possui, o Brasil.

Sei que estamos na terra do carnaval, samba e futebol, por isso minha afirmação pode soar certo descompasso, mas o esporte por aqui nunca cumpriu suas habilidades especiais e únicas: união, estímulo à competição, civismo, respeito ao adversário etc. Brasileiro gosta de futebol porque sabe jogar até com bola de meia (como vemos nas periferias); porque o Brasil teve (e tem?) grandes craques; porque vive num país considerado o melhor do mundo e – sem abandonar momentos históricos – porque a modalidade sempre foi um prazer permissível, mesmo no tempo dos generais.

As demais práticas esportivas são seguidas com o estímulo da mídia. Alguns de nós aprendemos a torcer pela natação a partir do brilhantismo individual de um nadador: Gustavo Borges. O basquete masculino parece ter sido inaugurado com o Oscar Schmidt e o feminino com a Hortência. Ginástica Olímpica então, conhecemos com a novíssima Daiane dos Santos. E assim vamos admirando as estrelas das “novas” modalidades e não o esporte em si. O nosso Governo faz o mesmo, concentrando certo investimento em nomes feitos e nos seus prováveis substitutos – enquanto reles mortais devem se contentar com uma disciplina (quase) patética chamada Educação Física que “aprendem” na escola.

Olimpíadas não me entusiasmam por terem o poder de roubar a realidade. O que eu vejo acontecer com a China hoje, na expansiva Olimpíada de Pequim 2008, é a urgência de um povo em provar que é igual perante um mundo que o diferencia dos demais. A vontade de mostrar que pode fazer uma cerimônia de abertura nababesca, como nunca se viu; que as delegações podem sentir o Oriente como suas próprias casas e que existe hospitalidade material e sensível mesmo num país que tem quase todas as formas de liberdade cerceada pelo Estado.

Ginásios e estádios são lugares mágicos e dão a impressão de que o ambiente ali é o mundo em sua totalidade: com vencedores e perdedores trocando cumprimentos após a partida, torcida organizada, ouro ao final. Os chineses estão desempenhando muito bem um papel que vai acabar quando a pira olímpica se apagar, pois a vida não é – não foi, jamais será – assim. Nem aqui nem em Pequim.


Você está acompanhando as transmissões dos jogos em Pequim?

Sim, inclusive os das madrugadas

Não

Às vezes

Quase nenhuma

Deus me livre!






::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 4:36 PM ... Comente!

Quarta-feira, Agosto 06, 2008 :::



Eleições limpas ou pau de galinheiro?

Num período em que se fala tanto em eleições limpas é, no mínimo, desconfortante ler nos sites e ver nos telejornais de fim de noite que o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou políticos “ficha-suja” para concorrer no pleito de outubro. Isso quer dizer o que já diz à clara luz: candidatos condenados em primeira instância poderão, legalmente, entrar na disputa que elegerá nossos vereadores e prefeitos pelos próximos quatro anos.

Bem que a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), através de ação protocolada, tentou impedir, mas por um placar de 9 a 2 – o que, no futebol, podemos chamar de goleada – os 11 ministros da Corte decidiram jogar a sujeira para debaixo do tapete e fingir que a casa está limpa. Ah, a decisão foi tomada em caráter definitivo, ou seja: nem adianta falar, espernear, contestar em blogs e afins, recursos não caberão mais nesta causa.

Uma situação pra lá de conveniente para sairmos com a frase batida: “é, então a gente não pode fazer mais nada”. E eu digo: é claro que pode! O STF fez a sua parte – o que na minha terra chamamos de “serviço porco” – ao deixar políticos sujos com a cara limpa. Agora é nossa vez. Não votarmos nesses candidatos, aparentemente, limpinhos é tudo o que temos a fazer. Mas para isso precisamos reconhecê-los sem a máscara da boa aparência e a mídia, apesar de alargar a notícia da sujeira eleitoral presente em todos os Estados do país, às vezes deixa de mostrar o sujeito em prol de se alongar demais no predicado.

Como estou em Alagoas, listarei os políticos ficha-suja daqui – esperando que meus amigos blogueiros espalhados por tantos cantos façam o mesmo nos seus blogs a serviço do Estado e município que residem. Claro que não podemos esquecer dos políticos que nunca tiveram suas fichas sujas pelos rigores da lei e, mesmo assim, não merecem nossa credibilidade em forma de voto. Olho vivo nas eleições, pessoal!

A lista a seguir, divulgada mês passado pelo Tribunal de Contas, foi retirada da página do jornalista alagoano Ricardo Mota.

01 – Albérico Cordeiro da Silva – Palmeiras do Índios
02 – Maria Eliza - Rio Largo
03 – Vânia Paiva – Rio Largo
04 - Deraldo Romão de Lima – Santa Luzia do Norte
05 – Mário Jorge Albuquerque - Santa Luzia do Norte
06 – Cícero Cavalcante – Matriz do Camaragibe
07 – Marcos Paulo – Matriz do Camaragibe
08 - Marlene Falcão Pedrosa Fidelis – Anadia
09 – Roberto Sapucaia dos Santos – Maribondo
10 – Cícero Ezequiel da Silva – Viçosa
11 – Jaime Correia de Araújo – Barra de Santo Antonio
12 – Raimundo José Freitas de Araujo – Branquinha
13 – José Danilo Dâmaso de Almeida – Marechal Deodoro
14 – José Reis do Nascimento – Porto Real do Colégio
15 – José Damasceno Filho – Dois Riachos
16 – José Gomes dos Santos – Teotônio Vilela
17 – José Aurélio de Oliveira – Girau do Ponciano
18 – José Hélio Gomes Brandão – Mata Grande
19 – Antonio José da silva – Palestina
20 – José Gildo Rodrigues Silva – Poço das Trincheiras
21 – Maria Amparo Cardoso Ferro Souza – Minador do Negrão
22 – Antonio Lourenço da silva – Santana do Mundaú
23 – Hermínia Tavares – Santa Luzia do Norte
24 – José Moraes Neto – Porto de Pedras
25 – José Cícero Mariano – Mar Vermelho (Presidente de Câmara)
26 – Redson Charles Fontan P. Barros- Paripueira (Presidente de Câmara)
27 – Célio Barbosa Duarte – União dos Palmares - (Presidente de Câmara)
28 – Vera Lucia Nemésio do Carmo – Pindoba
29 – Carlos Alberto Ribeiro da Costa – Paripueira
30 – Moacir José de Melo - Paripueira
31 - Ednaldo Cursino dos Santos – Roteiro
32 – Maria Helena Castro Jabotá Lins - Roteiro
33 – Almir Lira Sobrinho – Feira Grande
34 – Geraldo Antonio Muniz Semeão - Feliz Deserto
35 – José Aderson de Souza - Olho d’Água Grande
36 – José Afonso Freitas Melro – Traipu
37 – Celso Ramalho de Freitas - Japaratinga
38 – José Rodrigues Gomes - Água Branca
39 – Genivaldo Novaes Agra - Carneiros



::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 11:42 PM ... Comente!



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