Quinta-feira, Julho 31, 2008 :::
O mundo é gay?
Esta semana, uma notícia de aparência banal veiculada, largamente, nos sites chamou minha atenção. Ela diz respeito à criação de uma Rua Gay na cidade de São Paulo. Seja entendido: a rua já existe e se chama Frei Caneca – o que complica ainda mais a situação, no meu singelo ponto de vista. Por quê? Ora bolas, se nomear “homossexual” um logradouro qualquer é uma idéia socialmente polêmica para os padrões brasileiros, imagine pôr abaixo uma figura católica em nome do orgulho gay. Uma questão de pano demais pra pouca manga.
A proposta, que ultrapassou no último final de semana a posição de simples idéia, está sendo posta em prática por militantes, liderados pelo empresário Douglas Drumond. De acordo com uma declaração concedida ao G1, Drumond, que está fazendo um abaixo assinado em favor da causa, afirmou que a maioria dos comerciantes da rua apóia a mudança, pois seus clientes são predominantemente gays. Do lado de lá da história, moradores da Frei Caneca contestam a alteração: “Nós não queremos essa conotação. A rua não é gay, é do morador, e muitos não são gays. Até os gays do meu prédio não querem”, retruca um deles.
Alterar os nomes de ruas é uma função que cabe à Câmara Municipal e – por sensibilização social ou ambição eleitoreira – não custarão a aparecer parlamentares para defender o futuro projeto (apresentado diante de um período político altamente atrativo). “O mundo é gay”, já me disseram alguns amigos. A maioria deles é heterossexual e cada vez mais desvinculada do preconceito que aprendemos a entender, ainda na infância, como impulso natural, mas que é uma atitude imposta cultural e socialmente. Para usar uma linguagem bem fashion, como costumam dizer os gays, ser preconceituoso é um conceito que está caindo de moda, graças a um abalo positivo das novas gerações.
Tenho alguns amigos homossexuais e amo todos eles. Mas eu não acho preconceituosa a atitude de discordar da mudança. Nomear uma rua como sendo gay é uma ação exagerada que servirá apenas para formação de mais um gueto. O homossexual não precisa se destacar na multidão, ele precisa mais urgentemente se integrar a ela, ser multidão também. Demarcar o território é uma atitude pequena demais para a grandiosidade de sermos iguais. Não diante de uma Constituição que, nos igualando, mente, e sim diante dos outros, para que os outros se sintam iguais diante de nós.
::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 12:16 AM
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Terça-feira, Julho 22, 2008 :::
O perfil dos leitores do Mala Jornalística
As enquetes são uma ótima maneira de avaliar a opinião dos leitores deste blog. Alguns não são muito adeptos da prática de comentar e vêem, na resposta de um questionário qualquer, uma maneira mais rápida e prática de participar ativamente das discussões abordadas aqui.
Através delas eu também posso conhecer melhor os leitores do “Mala” que, às vezes, já são grandes conhecidos, mas – outras vezes incalculáveis – são passantes por essas histórias de vivência cotidiana tão minha e tão suas.
Vamos às estatísticas, então, de acordo com as cinco últimas questões abordadas.
- 71,43% dos leitores é contra a veiculação de propagandas de bebida alcoólica no rádio e TV;
- 50% não se declara católico;
- 85,71% credita à violência do país a responsabilidade pelo número de jornalistas vitimados no exercício da profissão;
- 42,86% acredita que a Lei Seca fará efeito apenas num primeiro momento;
- 100% vê nos debates políticos a melhor forma de avaliação de um candidato.
Sabe o que eu acho dos leitores do Mala Jornalística? São pessoas interessadas pelos assuntos que estão em evidência na mídia, não porque sejam jornalistas (embora colegas de profissão me visitem constantemente), mas por ter senso de responsabilidade social sobre as coisas que ouvem falar por aí. Pessoas que querem dizer algo, diante de uma situação que as indigna, ou simplesmente “ouvir” – e digerir opiniões, como um organismo seleto.
Todos são sempre bem vindos! Até a próxima reflexão, que não deve demorar.
Isolda.
::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 10:05 PM
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Terça-feira, Julho 15, 2008 :::
Caros leitores e amigos (caso isso não pareça redundância),
tenho andado um tanto distante do blog sim – são os afamados ossos do ofício. Mas, está bem: vou cumprir aquela promessa de, no mínimo, um post por semana, ok?! Juro que farei com que acabem as seis ou sete cobranças pelo MSN. (Risos)
Abraços a todos.
Isolda.
Dons de iludir:
em quem votam os analfabetos?
Ilusões políticas acontecem com qualquer um. Acreditamos que o candidato X fará de tudo pelo bem do nosso município, Estado, país e, depois, tanta confiança pode se verter numa série de escândalos que nos fará desconfiar daquela máxima que diz baixinho: existem homens de bem na política brasileira. Antes do pleito, é nosso dever atentar para as características do concorrente: suas propostas, a postura que desenvolve em sociedade, certos traços familiares até e, obviamente, o passado do cidadão – que, com a mesma força, o absolve ou condena.
Para amparar nosso clamor avaliativo existem os meios de comunicação diversos, a propaganda eleitoral gratuita, os comícios, os debates, as pesquisas encomendadas etc. Enquanto cidadãos esclarecidos, nós sabemos que nenhum desses métodos é definitivo e mais: vários deles utilizam imagens e números fantasiosos para atingir o fim de impressionar. A publicidade – arma fundamental na disputa eleitoreira – consegue garantir que Fulano é melhor do que Cicrano, mesmo que não seja; mesmo que o melhor, entre os dois, seja optar pelo Beltrano.
Mas toda técnica utilizada em campanhas serve, no fundo, para aguçar o senso crítico do eleitor: e não concordarmos com tudo é o mais prudente, sempre. Refletindo sobre criticidade do eleitorado, não poderia deixar de pensar nos métodos que analfabetos utilizam para fazer sua escolha. E não que todos eles, por não saber ler e escrever, sejam menos astutos que nós letrados – já vi muita gente querer tirar vantagem disso e se dar mal. Minha preocupação vai do analfabetismo escolar até o funcional: pessoas iletradas e sem sentimento crítico sobre aquilo que vêem e ouvem. Iscas perfeitas para o mau candidato.
Quando vejo políticas emergenciais na educação, temo pelo tipo de ser social que as escolas estão formando ao não reprovar mais alunos – para exibir, anualmente, índices de queda na repetição escolar. Existe uma linha crítica que considera mascarado todo investimento público em educação no Brasil: segundo ela, as estatísticas camuflam um mal que não está sendo combatido efetivamente. E tudo isso parece ter um propósito: manter ignorante a população, pois na miséria e ignorância mora um povo muito mais fácil de se manipular.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou hoje que, para as eleições de 2008, Alagoas é o Estado com o maior percentual de eleitores analfabetos (22,5%). Sem sombra de dúvidas, isso ajudará com que o populismo vença o pleito por aqui. E não que o candidato popular seja o pior de todos. Queira Deus que ele seja o melhor. Mas ainda assim será triste: porque a escolha sairá, implicitamente (?), derrotada pelos dons de iludir.
::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 11:14 PM
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Segunda-feira, Julho 07, 2008 :::
Começando a falar de eleição: idéias de jirico *
A eleição é um período riquíssimo para a comunicação, muito embora restrições existam e, tantas vezes, ultrapassem os limites da lógica e mesmo da logística do pleito. Comunicadores, de rádio e TV, são obrigados a fazer ouvidos moucos frente às notícias lançadas durante todos os dias que compõem este período crucial entre a partida das campanhas políticas e a chegada do eleitor até a boca da urna. E para cumprir o expediente, certamente, eles se ocuparão de ditar receitas de bolo, comentar as novas tendências da moda fashion ou coisa que o valha.
Injusto, quando pensamos em regime democrático, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga procedentes tais atitudes; sou apenas uma jornalista metida a besta que tem todo o direito de contestar. Até quando meu direito será mantido é um questionamento que me fiz ao deparar com uma manchete da Folha Online de ontem: TSE restringe uso de internet na campanha. Claro que é utópico pensar em restringir qualquer conteúdo disseminado por vias virtuais, mas continuei a ler o texto.
“A legislação eleitoral proíbe a mídia eletrônica de difundir opinião favorável ou contrária a candidato e ainda de dar tratamento diferenciado aos postulantes. Já os jornais e revistas, que são empresas privadas, não sofrem restrições”, diz a matéria da Folha. E tem mais: internautas poderão ser multados ao criarem páginas favoráveis ou desfavoráveis aos candidatos. Ou seja, caro leitor: se minha assiduidade nas postagens deste blog ficar mais demorada ainda, pode ser que eu esteja por aí angariando fundos para pagar multas rescisórias e, desde já, me enquadre no perfil dos fora-da-lei.
O que vejo com essa decisão é uma tentativa de encurtamento do senso crítico do eleitor, já que entendo que num blog, por exemplo, minha crítica não fará com que o votante mude de opinião nem meus elogios elegerão candidato algum. A audiência da internet não é tão burra quanto querem fazer parecer. Pessoas acessam todos os dias milhares de sites em busca de confrontar idéias, contestar e achar um ponto de equilíbrio entre todas as informações colhidas.
Outras, é natural, acreditam em tudo que ouvem, lêem ou vêem, sem recorrer a uma segunda opinião. Mas o problema desse grupo aí não é a internet, o rádio ou a televisão, e sim o entorno em que está organizada a estrutura social brasileira – que bem poderia funcionar como um esqueleto, e ter articulações que se combinam entre sim, mas por enquanto não passa de uma irregular ossada.
Definição: burro, burrico (Dicionário Priberam).
::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 8:47 PM
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