Mala Jornalística
Jornalirismo Blog do Noblat Observatório da Imprensa JC GJOL Jornalismo Online Novas Tecnologias Caros Amigos Blog do Juca 1000 imagens Luis Nassif Online Último Segundo Blog da Redação Cristina Lôbo (Política) Jornal da Paraíba G1 Bahia Já Tudo na Hora Tele História O Cruzeiro Portal Imprensa Porta Curtas Agência Ciênci@lagoas Comunicação de Interesse Público FENAJ Isolda Piauí

... a notícia como bagagem!

Mala Jornalística


De volta ao começo Malas e Bagagens Passaporte

Sábado, Maio 31, 2008 :::



Nossos amigos marketeiros

Fuçando lançamentos na área da Comunicação, encontrei um livro de conceito interessante e, aparentemente, muito criativo. Digo aparentemente por ainda não tê-lo lido, mas confesso que o farei, dadas as devidas oportunidades. O título “A fila anda, mas não empurra que é pior (Uma abordagem de marketing sobre relacionamentos amorosos)” é ousado e, como atitudes ousadas, atrai. Por certo começa aí a estratégia de convencimento do autor, um administrador de 28 anos que cursou MBA em Marketing na França: André Figueiredo Maciel.

A idéia do livro do André é genuína, claro, mas se fossemos mais atentos seria fácil perceber que qualquer conquista parte de uma técnica de convencimento, as amorosas inclusive. Movidos a emoção, muitas vezes, formamos estratégias altamente racionais. Olho as páginas do Orkut, por exemplo, e vejo muitas propagandas enganosas; algumas delas fazem uma verdadeira metamorfose no produto em questão: o ser humano. Casos que desenterram uma velha questão de levar gato por lebre. O site de relacionamentos nada mais é que uma vitrine onde se pode expor à apreciação de uma platéia vasta ou, agora há a oportunidade de, reservar-se à atenção de uma patota restrita (como num brechó só para convidados).

No mais, conquistar com o foco voltado para o relacionamento amoroso exige esforços como a padronização da espécie. Então, todas as mulheres necessitam de cabelos lisos e os homens da musculação. E para quem pensa que beleza é tudo o mercado é ferrenho também com questões que ultrapassam aparência, por isso as pessoas precisam ter boas referências de livros, músicas, estar antenadas para o que de mais moderno a tecnologia lhes puder oferecer (em termos de celulares, i-pods, mp4, cinco ou seis) e, se possível, manter um blog para demonstrar certa inteligência e alguma arrogância, como fazem os cults. Caso contrário, correm o sério risco de ficar na prateleira até o vencimento dos seus prazos de validade.

E assim, as conquistas baratas vão saindo caras para quem vive abaixo da linha da riqueza. Há o preço psicológico, o peso social, a cobrança que parece sair de todos os vértices de nós mesmos. A conquista é sim esse joguete de impressionar com meias-verdades, meias-atitudes, meias-bondades. Se bem que aquela coisa de se entregar por inteiro havia caído de moda desde o tempo da vovozinha – quando a flor ofertada já tinha a intenção do beijo.


::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 12:38 AM ... Comments

Quarta-feira, Maio 28, 2008 :::



Conversas de ponto de ônibus:
a opinião popular e as células-tronco

Apesar de serem inúmeros os noticiários que tratam do polêmico assunto da pesquisa envolvendo células-tronco embrionárias, nas ruas as pessoas ainda se confundem quando tentam formar seu juízo de valor sobre. Algumas sabem muito pouco, outras quase nada e há ainda o terceiro grupo, os que “tudo” sabem– uma verdadeira máquina de criar hipóteses, tantas delas, ilógicas.

Já devo ter escrito aqui que considero os pontos de ônibus as melhores referências para qualquer pauta jornalística. Cada minuto esperando o meu passar (o que pode demorar a acontecer) me faz sentir num laboratório a céu aberto. É uma perda de tempo, se acaso resolvo considerar o atraso para compromissos quaisquer, mas prefiro olhar como um ganho maior, quando tenho a oportunidade de observar o comportamento popular diante das notícias veiculadas todos os dias por colegas nos infinitos meios de comunicação que existem.

Para esse caso específico, sinto que as pessoas não estão esclarecidas do princípio básico: o que são, na verdade, as células-tronco? Grosso modo, são células capazes de se transformar em qualquer tecido do corpo humano. Através da evolução das pesquisas que utilizam células-tronco é possível que se chegue a cura de doenças hoje intratáveis, como mal de Alzheimer, Parkinson e diabetes. A questão que põe religião e ciência, mais uma vez, em lados opostos do ringue, é o fato dessas células terem de ser extraídas de embriões humanos. Detalhe: o uso dos embriões se restringe àqueles exemplares que jamais chegarão a ser fecundados – uma espécie de lixo científico.

Sinto-me à vontade para criticar alguns meios que preferem fomentar a polêmica – o que mais tenho visto – enquanto a informação, esclarecedora como deve ser, fica em segundo plano. Especialistas, embasados de tantos termos técnicos, mais confundem do que, potencialmente, esclarecem, e faz falta uma interpretação jornalística que aproxime mais a notícia do povo. Seria uma forma de reduzir a culpa de muitos que acreditam que a pesquisa é letal para a espécie humana e a extração das células é uma espécie de massacre de bebês recém-nascidos que teriam uma vida inteira pela frente.

É claro que existe também a parcela da população absolutamente esclarecida, que tem suas convicções formadas à base de puro entendimento. Mas a obrigação do clareamento de idéias ainda é da imprensa, porque, quem sabe, essas pessoas durmam no ponto ou, pior ainda, nem peguem ônibus.

Em nota: a sessão de julgamento das pesquisas com células-tronco embrionárias, no Supremo Tribunal Federal, foi suspensa e será retomada amanhã às 14h. Os Ministros do STJ totalizam 11 votos; hoje 4 foram a favor das pesquisas, 2 impuseram ressalvas e 2 foram contra - os demais votarão apenas com o retorno da sessão. Importante informar que até o final do julgamento, qualquer Ministro pode mudar o seu voto.


DECISÃO FINAL, 29.05.008




Foram 6 votos a favor, 5 contra e o STJ decidiu que a Lei de Biossegurança não fere a Constituição.



::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 8:42 PM ... Comments

Quinta-feira, Maio 22, 2008 :::



Índios podem ser presos?

Quando vi as cenas do engenheiro da Eletrobrás, Paulo Fernando Rezende, sendo agredido por índios durante uma palestra no encontro Xingu Vivo Para Sempre, em Altamira (PA), na última terça-feira, me veio uma questão óbvia que culminou no título desse artigo: índios podem ser presos? Rezende, que foi atacado com socos e golpes de facão, era acusado por vários índios Caípos de estar sendo debochado e desrespeitoso com eles enquanto apresentava detalhes técnicos sobre a construção de uma usina hidrelétrica no local.

De acordo com o artigo do juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, o povo indígena goza da posição que o Código Penal chama de imputabilidade. Explico: imputável é o sujeito são, capaz de entender o que é ilícito, tal como nós. Indivíduos com desenvolvimento mental incompleto, por exemplo, não são imputáveis. De acordo com a FUNAI (Fundação Nacional do Índio), afirma Lemos, o número de índios fora de terras indígenas no Brasil está entre 100 e 190 mil, sendo não-raro a ocorrência de ações penais relacionadas a crimes cometidos por eles contra a sociedade não-indígena.

Mas a relação da imputabilidade penal do índio é muito mais complexa do que podemos imaginar ao, simplesmente, defini-los como responsáveis diretos por todo e qualquer ato de infração que cometem. Existe o Estatuto do Índio, que os classifica nas categorias de isolados (quando vivem puramente no convívio indígena), em vias de integração (quando transitam entre a sociedade indígena e não-indígena) e integrado (fora do ambiente indígena). Para cada caso ocorrido nos grupos distintos, a lei prevê diferentes interpretações, onde a diferença cultural pode ser um atenuante para a pena – o que me parece justo.

Injusto, no meu reles ponto de vista, é a proteção exacerbada com os índios infratores. As notícias no site da FUNAI até hoje, ignoram o fato ocorrido em Altamira essa semana, como se os índios devessem ser alheios às críticas e não pudessem se rebaixar a um pedido de desculpa nem por parte dos órgãos competentes. Pergunto então, para mim mesma, o que ocorrerá com os agressores do engenheiro Paulo Fernando. Sinceramente, acredito que nada será feito, apesar da vítima ter tomado as providencias policiais necessárias.

Ah, a resposta para minha questão inicial é sim: índios podem ser presos. Um sim não tão robusto, é verdade, que desemboca na complexidade de uma mais ferrenha ainda: índios vão ser presos? Mas essa é outra cena prevista para um próximo capítulo.

Não viu o episódio na TV? Veja aqui:



::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 12:33 PM ... Comments

Sábado, Maio 17, 2008 :::



Repórteres: sem fronteira?

O Jornal Nacional noticiou ontem o atentado ao jornalista Edson Antonio Ferraz, 25, da TV Diário de Mogi das Cruzes (SP), afiliada da TV Globo, sofrido na noite anterior. Ferraz trafegava num automóvel com a logomarca da emissora, quando foi fechado por outro veículo. O motorista, encapuzado, atirou duas vezes contra o carro do jornalista, mas não o atingiu. Segundo informações divulgadas, Ferraz apurava três casos em que policiais civis são acusados de crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e roubo.

Notícias como essa evidenciam o risco de fazer jornalismo investigativo no Brasil, muito embora atentados contra a imprensa façam parte de uma grave estatística mundial. O caso Tim Lopes, ocorrido em 2002, quando o jornalista da Globo investigava o tráfico no Rio de Janeiro, chamou a atenção popular pela massiva penetração da emissora nos lares brasileiros, mas são muitos os profissionais do jornalismo vitimados no exercício da profissão e desvalidos de qualquer destaque da mídia e/ou do empenho na resolução dos crimes.

Na América Latina, os números correspondentes aos atentados contra a imprensa são evidentes. Para se ter uma idéia, só nos quatro primeiros meses de 2008 foram registrados 53 casos no Peru.(Veja mais no Portal Imprensa) O Brasil ainda não tem uma frente organizada contra crimes que firam o livre exercício do profissional de jornalismo, porém o site (de língua estrangeira) da ONG Repórter Sem Fronteiras (RSF) contabiliza em relatórios anuais o estado da liberdade de imprensa no mundo, incluindo o país.

“Somos jornalistas, queremos a verdade”, diz uma bela e até tocante frase de Ali Kamel, diretor-executivo de jornalismo da Globo. Acontece que o “verdadeiro” nem sempre é interessante para todos. É triste, especialmente para nós jornalistas, acompanharmos casos em que a manutenção da mentira e da dissimulação entra em choque com nosso ideal de verdade. E mais ainda: que nesse choque, saiamos, muitas vezes, desonrados, feridos e, em tantas outras, derrotados.

A quem atribuir culpa quando um jornalista
é vitimado durante o exercício da profissão?


À emissora

Ao próprio jornalista

À insegurança do país

Não há culpados

Não sei






::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 12:58 PM ... Comments

Sábado, Maio 10, 2008 :::



Sexo, drogas e cânticos gregorianos

A sexualidade, na evolução temporal na qual nos encontramos, abandona muito rápido o tradicional posto de tabu e vai tomando seu lugar comum na sociedade. Assim, o sexo já é falado nas conversas de mesas de bar, durante o happy hour entre amigos; nos salões de beleza, para matar o tempo; em palestras perfeitamente embasadas, enfim, o assunto beira a latitude do “natural” até ser abordado pela igreja católica.

Numa mensagem proferida hoje no Vaticano, o papa Bento XVI equiparou o sexo a uma espécie de droga a qual não devemos sucumbir. O alarmante nesse tipo de retórica é que sexo e amor são tomados sempre como potências opostas – algo como a ex-União Soviética e os Estados Unidos. O “exercício da sexualidade”, segundo o papa, pode ser prejudicial ao verdadeiro conceito de amor e, principalmente, a dignidade da pessoa. Em nota: a mesma mensagem toma o sexo como uma “técnica mecânica” que deve ser praticada sob os princípios do casamento e da procriação.

Não me admira, depois dessas e tantas outras, que os jovens se afastem da igreja católica. E isso não é uma coisa que acontece porque a juventude escolheu viver de forma promíscua e desprovida de valores. Existe uma série de valores embutidos na atitude de usar camisinha, porque a AIDS ronda a intimidade mesmo das relações pseudomonogâmicas; em recorrer ao uso de pílulas anticoncepcionais para a mulher que não quer mais a antiga sina das avós (ter, praticamente, um filho por ano, formando a normalíssima “escadinha genealógica”) – pequenos exemplos, para ser bem sintética.

É probatória a possibilidade de sexo e amor poderem fazer uma bela combinação, ainda que fora da ditadura do verbo "procriar". E se torna até irônico vermos a oratória da igreja ultrapassada, não pelas críticas de quem a contradiz, mas pelos escândalos sexuais que emergem de seu próprio cerne.

Que tipo de católico você é?

Extremamente praticante

Vou à missa de vez em quando

Não-praticante

Não sou católico




Escute “Amor e Sexo” (Arnaldo Jabor, Rita Lee e Roberto de Carvalho)

::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 4:06 PM
... Comments

Sexta-feira, Maio 02, 2008 :::



O baixo QI dos baianos

À primeira vista pensei que fosse mais uma dessas anedotas vindas nem sei de onde pelas ondas da ilimitável rede, a Internet. A manchete era chamativa, afinal: Professor atribui baixa nota do Enade ao "QI dos baianos". Mas estive equivocada o tempo inteiro, pois a notícia, além de absurda, é verídica.

O mote de tal declaração provém do resultado do Enade (Exame nacional de desempenho dos estudantes), teste aplicado nas unidades de ensino superior e que tem uma escala variante entre os conceitos um e cinco. Relevante para o caso é o fato de, diante da avaliação, 17 faculdades de Medicina passarem, de agora em diante, a ser fiscalizadas pelo MEC (Ministério da Educação), devido ao mal desempenho na prova – a Federal da Bahia é uma delas, com conceito dois. Suspensão e até mesmo a cassação do curso estão entre as medidas do Ministério quando as faculdades não apresentam melhoras sentidas para os problemas identificados.

O professor e coordenador do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia, Antonio Dantas, declarou, diante dos resultados apresentados, que o mau rendimento dos alunos baianos se deve ao seu baixo QI (quociente de inteligência). Sustentado por um desconhecido embasamento científico, Dantas – baiano e formado pela UFBA – disse ainda que esse suposto baixo QI dos baianos é hereditário e facilmente identificável por quem convive com as pessoas nascidas na Bahia. E para fechar com chave de ouro, uma declaração sua, na íntegra, retirada da Folha Online: “O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria”.

Na contramão do professor, a diretora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, Rosana Vilela, atribui as notas baixas à implantação do novo currículo, já que alunos do último ano trabalharam por quase todo o curso com o antigo. O boicote dos estudantes ao exame também não é nenhuma novidade; alguns deles não acreditam na eficácia da avaliação. Questionado sobre as declarações do professor, o reitor da UFBA, Naomar de Almeida Filho, classificou-as como “racistas e ignorantes” e disse ter convocado uma reunião de emergência para tomar providências em relação à postura de Dantas.

Quem já estudou/estuda em faculdades públicas no Brasil sabe que o objeto de melhor qualidade delas é o material humano. Paralelo aos laboratórios desatualizados, a estrutura muitas vezes precária etc, existe o estudante que quer mudar essa realidade como pode: através de um protesto (que chega à grande mídia como bandalheira), mas, geralmente, a manifestação mais eficaz de todas é o enriquecimento intelectual. Esses incansáveis alunos estudam, desde a decisão de cursar uma faculdade, passando pelo inesquecível vestibular, até os pés da festa de formatura.

Eles são baianos, alagoanos, são paulistas, são brasileiros, enfim. Não devem ser ofendidos de uma maneira ordinária como essa. O professor Antonio Dantas, esse sim, pode pendurar no pescoço o crachá de burro – sem que eu precise aqui medir QI. E mesmo que os títulos que possui briguem com esse adjetivo, chamarei-o de burro ainda: pela capacidade que ele desenvolveu de trocar sua inteligência tátil pela mais pura e insensível ignorância.


::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 7:27 PM ... Comments

Quinta-feira, Maio 01, 2008 :::



O que é que esse homem tem?

As recentes pesquisas sobre a avaliação do desempenho pessoal do senhor Luiz Inácio Lula da Silva não me surpreendem, mas aí vão as estatísticas: 69,3% das pessoas aprovam o presidente, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada no começo da semana. Um pouco antes dessa, uma outra colocava Lula em 6° lugar entre os presidentes mais populares das Américas.

Num balanço geral, os críticos creditam tais conquistas ao excesso de populismo do presidente, o que, em parte (e grande parte, aliás), procede. Pelo menos no Nordeste – onde programas feito o Bolsa Família e a polêmica Transposição do Rio São Francisco estão sempre em evidência – Lula é mais do que um político ou um Chefe de Estado, é quase uma entidade. Uma espécie de Getúlio Vargas reloaded, um outro pai para os pobres do Brasil.

E perde quem aposta na estupidez do presidente, como se ela pudesse ser atestada pelo seu irrisório grau de instrução escolar. Lula tem algo, além de carisma, que pode ser tratado como inteligência nata, uma percepção única que aliada ao investimento em marketing pessoal surte esses fabulosos efeitos – que podem desembocar, inclusive, num terceiro mandado.

Os escândalos que rondam o governo, de Mensalão a Dossiê, não chegam a ofuscar a imagem pessoal do presidente, que parece ter sua redoma de vidros blindados. Segundo o próprio Lula o povo não quer saber de denúncia, o povo quer saber é se a vida está melhorando. O governador de São Paulo, José Serra, foi ainda mais longe: “O povo não sabe o que é dossiê. Acha que é um doce”.

Entre gregos e troianos, enfim, há um consenso: a ignorância do povo vai servir ainda por muito tempo de alicerce para a mitificação de figuras políticas como salvadores da pátria. E a respeito do comentário adocicado do governador Serra, Lula, como bom nordestino que é, já comeu muito melado, e não tem mais cara de quem se lambuza.


::: escrito por ISOLDA HERCULANO às 2:26 PM ... Comments



Powered by Blogger