Terça-feira, Março 25, 2008 :::
A mesmice no fazer de um neojornalismo Da minha geração, nascida nos anos 80, devem existir poucos exemplares dos que não lembram do AQUI AGORA, um jornalístico que estreou em 1991 no SBT – antiga TVS. Engraçado é que apesar de ser um noticiário, o programa sempre teve um quê humorístico, talvez dado um tanto pelos repórteres caricatos – vai dizer que já esqueceu do Gil Gomes? – e um pouco mais pela forma de abordagem sensacionalista que parece acabar transformando qualquer tragédia num momento tragicômico do nosso inconsciente.
Para a felicidade dos saudosistas, após 11 anos fora do ar, o AQUI AGORA está de volta: travestido de certa modernidade, mas prosaico como nunca. A atração, que começa as 18 e fica no ar por uma hora, de segunda a sábado, é comandada por três apresentadores: os calouros Luiz Bacci e Joyce Ribeiro e a veterana Cristina Rocha. Desde sua reestréia, dia 03 de março, até o dia 20, o jornalista Herbert de Souza também compôs o quadro de apresentadores quando foi demitido por dar um soco no produtor do programa em plena exibição de uma reportagem. Demissão por “justa causa”, argumentaria o advogado e parlamentar Celso Russomano, um bom filho que a casa tornou e continua a defender o direito dos consumidores num dos quadros do telejornal – labor diário que, outrora, rendeu-lhe uma bem sucedida carreira política. Cogita-se o nome de Carlos Massa – o Ratinho – na substituição do apresentador brigão.
É evidente que o último parágrafo pareça um factóide ao nível do jornalístico, sei, mas aconteceu, sem sensacionalismo algum. Outro personagem que voltou (das travas?) foi o Feliz, uma interpretação de Felisberto Duarte, narrador da previsão do tempo – até aí tudo bem, pois é essa a hora que o telespectador aproveita para beber uma coisinha, tirar a água do joelho etc. Mais problemático é o modo como o jornal trata a notícia, muitas vezes especulada e seguida pelo julgamento do repórter que, perseguindo uma viatura de polícia, vai tecendo impressões sem o mínimo de aprofundamento. A apuração, que aprendemos em teoria na faculdade de Jornalismo, fica numa espécie de segundo plano. Ah, não custa dizer que na redação, a consideração do pauteiro para “notícia” inclui pendenga de vizinhos e afins.
O AQUI AGORA se identifica com o crachá de “Um jornal completo. Jornal Brasileiro”, mas acaba caindo em contradições quando em nome de ser “brasileiro” deixa a completitude de lado. Isso porque, contrariando a teoria da aldeia global de McLuhan, o telejornal minimiza ao máximo a importância das notícias internacionais, aglomerando todas elas num quadro com duração exata de um minuto. Como se muitas daquelas notícias vindas de outros países, e reduzidas ao tempo do desinteresse, não pudessem ter impacto aqui, no Mundo Tupiniquim, ou merecesse nosso olhar crítico brasileiro.
Há de se admitir o pioneirismo do AQUI AGORA, foi esse programa que ditou a fórmula dos seus concorrentes de horário: Brasil Urgente (Band), Notícia das Seis (Rede TV!) e tantos outros do gênero. Todos eles são atrações populares, porque a população se sente assistida ao se ver na TV sem o roteiro novelesco dos telejornais da Globo, fielmente copiados pela Record. A audiência desses noticiários é arquitetada e, de certa forma, deve corresponder aos seus anseios: noticiar e noticiar, sem o necessário compromisso da informação.
::: escrito por ISOLDA HERCULANO at 3:27 PM
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Quinta-feira, Março 20, 2008 :::
Aviso aos navegantes O texto Relatório aponta aumento na resistência dos blogs aos comentários de leitores, publicado no Código Aberto, blog de Carlos Castilho, informa e ao mesmo tempo abre uma discussão interessante acerca dos comentários postados nos weblogs, brasileiros ou não. O jornalista traz a informação de que nos Estados Unidos uma pesquisa mostra que é cada vez maior o número de blogueiros que recorrem aos moderadores de comentários nas suas páginas virtuais. Trocando em miúdos: os leitores estão submetidos a uma triagem quando comentam uma notícia e a sua observação pode ou não ser publicada.
Para nós, blogueiros, não chega a ser surpreendente a manchete, já que a convivência diária com outros blogs e com a página de comentários dos nossos próprios deixa bem claro que a possibilidade do anonimato, ainda quando o leitor assume uma identidade qualquer, é um estímulo para que pontuações maldosas, calcadas sobre uma base não tão sólida, surjam. Há ainda casos mais extremos, onde além de ser agredido verbalmente pelo expressar de uma opinião, o blogueiro pode ser alvo de comentários que sequer digam respeito ao assunto abordado.
Todos esses inconvenientes já podem sofrer o breque da moderação, uma opção oferecida por grande parte dos provedores. O que está sendo posto em xeque é o poder dado ao blogueiro de podar todo e qualquer comentário que lhe desagrade – não somente aquele que traz palavras de baixo calão, fuja do mote inicial etc. Ou seja: caso a opinião de um leitor contraste com a sua, ele simplesmente deixará de publicá-la, porque ela, talvez, lhe fira o ego. Assim, o blog, feito para ser uma ferramenta de discussão livre, pode desenvolver características da relação unilateral que geralmente rege os meios tradicionais da informação. Uma espécie de edição num meio que se dizia tão aberto, é verdade.
Quando lemos o blog de um jornalista competente, que já nos despertou, antes mesmo da evolução cibernética, a confiança, é instintivo considerar que o uso da moderação por parte dele esteja sendo feito de uma forma saudável e benéfica à ética da opinião pública. Mas é impossível esquecer que na blogosfera apenas alguns são jornalistas, poucos confiáveis e menos ainda se pode andar por aí crendo em verdades e justiça por puro instinto. OBS.: NO Mala Jornalística VOCÊ COMENTA SEM MODERAÇÃO.
::: escrito por ISOLDA HERCULANO at 2:35 PM
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